Ok, não é um poema cheio de estrofes e versos, o que talvez justificasse o título desse post. É mais sobre a inabilidade atual das pessoas em se relacionarem.
Já faz um tempo que eu saí dos aplicativos tinderanos, happenianos e innercirclianos da vida. O perfil das pessoas ali é muito similar. Existe quase um estereótipo de mulheres e de caras que estão nesses apps. Depois de ficar quatro meses ininterruptos, inclusive em planos pagos, eu prometi pra mim mesmo que não usaria mais a internet pra conhecer gente nova.
Meu relacionamento mais longo, de sete anos, acabou em 2019, com alguns repiques em 2020. E se tem algo pelo qual sou grato por ter vivido essa relação, além dos bons momentos, viagens, divisão de casa e de vida, é o aprendizado. Morar com alguém que teve outra educação, outra cultura e outra história de vida ensina muito.
Ensina a abrir mão de coisas que você gosta pra viver outras que acaba gostando. Ensina a pensar como dupla e não como solo. Mas, acima de tudo, ensina a entender o que você não quer abrir mão, o que você não deve desistir, o que você quer e o que você definitivamente não quer viver na sua vida.
Dito isso, o que mais cansa em conhecer pessoas que buscam relacionamento via internet, apps e Instagram é a romantização. Parecem adolescentes de 32 a 40 anos em busca de uma história linda, cheia de flores, manhãs com hálito de Colgate na cama, fidelidade absoluta, compromissos sociais, filhos, casamento, financiamento de imóvel e tudo que está na cartilha católico-apostólico-evangélico-judaico-cristã.
Não existe romantização de um relacionamento a dois. Existe luta. Existe investimento de tempo e de afeto. Existe renúncia. E existe disposição real, dos dois lados, pra fazer funcionar.
É necessária paciência pras manias e conceitos pré-definidos do outro. É necessária lealdade pra sustentar a fidelidade, que por princípio dura muito mais do que a fidelidade escrita no manual de regras da sociedade ideal. E é necessário muito amor próprio pra não se anular e, lá na frente, cobrar do outro uma conta que nunca foi dele.
Parem de romantizar a busca pelo amor. Vivam o melhor de vocês. Se ele tiver que acontecer, encontra.

