Rapaz…
Tô aqui arrumando umas coisas digitais pra separar conteúdo e lembrei de um Rodrigo lá de 2006 que escrevia textos. Esse cara tinha 23 anos. Honestamente, eu nem me reconheço mais nele, embora muita coisa da personalidade permaneça a mesma.
Era um sonhador que dosava alguma competência profissional com uma skin inocente pra vida. Pegava o carro nos finais de semana e ficava rodando pela cidade, sonhando em fugir daquele lugar. O que acabou acontecendo em 2010. Mas lá em 2006 tudo ainda estava só no plano dos sonhos.
Hoje, aos 43, olhando pras conquistas, pras falhas, pro que deu certo e pro que deu errado, eu fico pensando naquele cara de 23. Será que ele imaginava um Rodrigo de 43 anos inerte, que não consegue sair do lugar?
E quando eu digo inércia, não é força de expressão. É não conseguir arrumar emprego. Não conseguir fechar novos contratos. Não conseguir trazer dinheiro pra casa. É financeira, sim.
Mas é criativa também. Eu escrevia antes. Sou músico. Sou publicitário, ou o cara que faz a comunicação das empresas, e hoje não consigo fazer nem a minha própria. Não consigo escrever com constância. Não consigo transformar o que eu sei em algo que ande.
Tem também o medo de decisão. Talvez porque, olhando pra trás, os últimos três anos foram uma sequência de decisões ruins. E isso cobra um preço. Paralisa.
Não é mercado. Concorrência sempre vai existir em tudo. Essa nunca foi a questão.
O que me trouxe pra esse limbo foi o risco que eu tomei. Eu tive bolas pra abrir sozinho um negócio que ninguém na minha família ousou. Eu sabia que podia acontecer o que aconteceu. Sabia que o estúdio podia não dar certo. Mas eu acreditava muito que daria.
E talvez seja justamente isso que conecte o Rodrigo de 23, o de 43 e o de 63.
Enquanto escrevo, lembro que o de 23 amadureceu a ideia de sair da cidade em busca de um crescimento profissional que lá jamais existiria. Ele não tinha coragem pra peitar um negócio cheio de risco como o de agora fez.
Hoje eu penso no Rodrigo de 63. Ele vai existir? Vai ter conseguido tomar decisões melhores? Vai estar morando num lugar com um estúdio próprio, uma vista foda, perto das montanhas, mas com acesso rápido ao litoral? Rodando com sua Harley Davidson 48 e voando de parapente?
Eu não sei.
O que eu sei é que, se ele existir de um jeito diferente, talvez seja porque o de 43 passou exatamente por isso que está passando agora. Não como prêmio. Não como garantia. Mas como parte do caminho.

