Ia fazer um post a lá “Tinder da depressão” (ou Happn / Inner / etc) porque realmente é muito engraçado como o ser humano se relaciona socialmente ultimamente…
Fiquei solteiro em janeiro de 2020, um pouco antes da pandemia. De lá pra cá eu instalei e desinstalei diversas vezes o app. E nesse período de uso (que geralmente dá uma média de 1 mês e meio ativo e 3 inativo, longe dessa papagaiada toda), dá pra perceber um comportamento padrão nesses aplicativos de paquera.
Na percepção masculina eu posso afirmar algumas coisas. Por exemplo o que mais tem em comum nesses apps são pessoas recém separadas de relacionamentos longos. E se eu pegar pela minha própria experiência na primeira instalação, a ultima coisa que alguém recém separado quer é um relacionamento sério. Até poderia rolar, mas sua cabeça ainda está presa nas coisas boas que ninguém poderá te dar que o último relacionamento te deu e ao mesmo tempo vc não quer passar pelos mesmos perrengues que ele te trouxe nos últimos anos. Outra coisa que tem muito nos apps é que a galera fica colecionando contatinho. E é um porre, pq as vezes vc quer uma cia legal para fazer algum programa legal na rua, como um bar, um restaurante e etc. mas acaba sendo apenas um quadradinho ali numa lista interminável de gente.
O chat desses aplicativos tb é um porre. Você conhece alguém que achou bonita, aí tenta iniciar uma conversar que não vai adiante. Ou começa bem o papo mas depois você fica se matando ali pra arrancar uma segunda / terceira interação. As vezes nem chega a ter uma oportunidade de chamar para uma cerveja ou um café… simplesmente não anda.
Eu consegui sair com 8 meninas nesses aplicativos, desde maio do ano passado até hoje. Duas delas eu tenho contato ainda. São pessoas muito bacanas. Não rolou interesse mútuo mas hora ou outra acontece um papo desinteressado, o que acaba sendo legal tb. Mas acho que nenhum app vai substituir uma troca de olhares num barzinho ou uma conversa despretensiosa numa fila de supermercado por exemplo. Geralmente quem está lá no app tem uma dificuldade de interação social muito grande (ou como eu falei ali em cima, tá a fim apenas de contatinho e massagem no ego). Minha percepção dos apps é a seguinte:
TINDER (paguei 1 mês ano passado no ápice da pandemia e 1 mês este ano quando a flexibilização já estava em 80%)
-> Do aplicativo em si é aquele modo Brasil de te sacanear… durante 1 mês aparecem muitas pessoas que não tem nada a ver com o seu perfil de escolha de assuntos e preferências físicas, e quando vc não renova a assinatura, magicamente vc começa a ter um monte de curtidas que não dão pra ver
-> Das pessoas lá (de novo, experiência de um cara buscando mulheres), ou vc tem aquelas que vão dar match e nunca vão falar com vc ou aquelas que vão conversar monossilabicamente no sim/não e não demonstrar nenhum tipo de interesse na sua vida. Tive uma boa sinergia de conversa com pouquíssimas do match, e uma delas me chamou de pretensioso simplesmente pq eu disse “fulana, vc precisa conhecer tal lugar assim assado”. (Ela me disse que eu não era ninguém pra dizer a ela o que ela tinha ou não que conhecer – Ou seja, a dificuldade social de interação humana que mencionei)
INNER CIRCLE (nunca paguei, mas ganhei 1 mês de premium ano passado, e não cheguei a usar 20 dias dos 30)
->Do aplicativo em si funciona bem e o algoritmo mostra opções que tem a ver com seus gostos físicos e interesses em comum.
-> Das pessoas – Ali no app (e não entenda como um preconceito, mas sim uma constatação), a grande maioria das mulheres com quem interagi estavam buscando um cara com grana que estava disposto a ter filho. A impressão que dava na conversa com elas é que, não importava se vc era qualquer um, contando que tivesse dinheiro sobrando pra viagens, eventos sociais e escola para criança. você iria servir. Acho que é o app que mais se aproximou de como as coisas são na vida real (e aí eu posso tirar o sexismo da coisa, visto que tem muito cara aí que quer ser sustentado pela mulher, e portanto, também busca perfis de empresárias que têm grana pra bancá-los). Neste eu não achei ngm interessante que me tenha dado vontade de sair para um restaurante ou um bar.
HAPPN (nunca paguei. Usei ano passado no começo da pandemia e voltei a usar agora)
-> Do aplicativo em si, é interessante o negócio de “veja quem cruzou com você”. Funciona bem e não é tão cara a assinatura.
-> Das pessoas lá, posso dizer que é parecido com o Tinder. Se você tiver muuuuuuuuuuuuuuita paciência vc acaba achando uma ou duas que valham a pena sair e conversar um pouco.
Mas muito embora eu conheça gente que inclusive casou e está feliz tendo se conhecido por esses apps, eu não acho que dê pra você esperar encontrar um relacionamento duradouro por ali não. Acho que a própria existência desses aplicativos mostra o quanto estamos carentes de interações sociais que comecem com o tato e o olho no olho, e não por uma tela em que a gente dá uma maquiada no que realmente somos através de, no caso dos caras, fotos embaixo da torre Eiffel, de sunga branca com a barriga trincada, atrás de volantes com relógios caros e óculos prada, em lanchas nas marinas que ficam nas represas de luxo perto da capital ou na mesa do escritório para mostrar o quanto vc é bem sucedido e, no caso das mulheres, com biquinis de perfil (sempre na pontinha do pé para aumentar o glúteo), em cima do standup padle, de preferência “indo” e não “vindo”, com no bar com as asinhas em neon atrás (já com a frase clichê ‘anjo ou diabo – você decide’), beijando golfinhos ou leões dopados e com aquele texto padrão “sou de hábitos simples e seu carro importado ou seu abdômen sarado não vão me seduzir”. Essa maquiagem mostra como estamos socialmente inábeis e carentes de interação social real.

